sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A poética da intuição

É frequente a tentativa de compreender ou apreciar obras recorrendo a análises conceituais, isto é, apreciando-as em termos de representação de idéias.
No entanto, uma pintura pode encontrar significado maior na própria forma. Pintar é também um processo de descobertas e, nessas condições, o quadro não obedeceria a uma estruturação prévia, vindo a constituir o registro de sua procura, ao longo da execução.
Até mesmo o assunto de definiria no ato de pintar, como se fosse uma soma de hesitações e certezas, remetendo a um clima de sonho - que dispensa referências ao mundo real.
Nesse processo, a intuição exerce papel central. Formas e cores nascem da memória, do ideário pessoal do artista, como exemplifica a obra do brasileiro Sérgio Fingermann.

Neste trabalho ele não especifica a idéia sugerida pela imagem. Ao contrário, liberto do preocupação com um significado anterior à feiura do quadro, o autor se permite certo grau de indeterminação e ambiguidade, buscando definir nada mais que uma atmosfera poética.
As cores estão distribuídas sobre fundo escuro (preto e azul-marinho), sem traduzir algo real, mas sim uma relação de formas. Para tanto, cada área e cada cor vão se sobrepondo em camadas, umas finas e transparentes, outras bem espessas. O efeito cromático é a soma dessas camadas de cor, cada qual preparada na própria tela, e não na paleta do artista.
Sérgio Fingermann deixa aparecer a pincelada, entendendo que ela transmite toda a emoção do ato de pintar, e que o quadro acabado - meio e fim - constitui um organismo vivo e autônomo, em vez de um veículo para conceituações.
A poética da intuição
Óleo sobre tela (sem título), de Sérgio Fingermann, 1893, 145 x 95 cm.
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Introdução ao óleo

Durante muitos anos o óleo foi a técnica mais utilizada em pintura. A tinta a óleo é uma mistura de pigmento pulverizado e óleo de linhaça ou papoula. É uma massa espessa, da consistência da manteiga, e já vem pronta para o uso, embalada em tubos ou pequenas latas. Mas você pode adicionar óleo de linhaça ou terebintina e torná-la mais diluída e fácil de espalhar. O óleo acrescenta brilho à tinta; o solvente, ao contrário, tende a torná-la opaca. Com a prática, você saberá exatamente quanto de cada material deve adicionar para obter o efeito desejado.
A grande vantagem da pintura a óleo é a flexibilidade, pois com a secagem lenta da tinta o pintor tem maior possibilidade de alterar e corrigir seu trabalho.
A preferência de muitos artistas pelo óleo talvez se dê em virtude de sua textura, que transmite um prazer todo especial. O ritmo das pinceladas, o contato do pincel com a tela e a formação das camadas de tinta proporcionam sensações muitos agradáveis durante o trabalho. O óleo permite captar expressões e pequenos detalhes facilmente.

Como trabalhar com o óleo:
O maior prazer proporcionado pelo óleo é o modo como ele reage ao pincel e à espátula. Para cobrir a tela com pinceladas rápidas e ousadas, de textura rica, é só usar a tinta sem mistura. Para os detalhes que exigem precisão, acrescente óleo de linhaça ou terebintina a fim de obter uma tinta mais cremosa e fluida.

Efeitos e textura:
A secagem lenta da tinta a óleo pode ser explorada de forma positiva. Embora algumas cores sequem mais rápido do que outros, há tempo suficiente para criar efeitos especiais.
Você pode pintar espontaneamente, de maneira livre e direta, acrescentando mais tinta à pintura ainda molhada. Pode também trabalhar com a tinta pura, praticamente esculpindo-a com a espátula, para obter uma textura vigorosa, chamada "impasto". Ou então pintar camada por camada, deixando-a secar uma a uma, sempre com a textura rica que só o óleo permite.

Como fazer correções:
Se você não gosta de alguma parte da pintura, retire-a com a espátula. Em seguida, limpe a superfície com um pano embebido em um solvente como a terebintina. Mesmo que a pintura esteja completamente seca, é possível mudá-la, acrescentando algo, melhorando o que está feito, ou ainda pintando alguma coisa completamente diferente por cima.

A prática:
A prática é amiga da perfeição. Procure pintar com a maior frequência possível. O ideal é trabalhar quando houver calma e ambiente adequado à concentração. Se você só puder pintar nos fins de semana, não se aflija. Desde que haja regularidade, será possível desenvolver um bom aprendizado.
Foi esse o caso do famoso pintor Paul Gauguin. Ele só pintava no fim de semana, mas, aos poucos, entusiasmou-se tanto que largou tudo para pintar.
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Material necessário

Apesar da diversidade de produtos e preços, é possível comprar um bom material para puntura a óleo sem gastar demais.

Como escolher a tinta:


Existem muitas marcas de tinta, cada uma com características próprias. Com relação à qualidade, há dois tipos: profissional e amador. A tinta usada pelos profissionais tem cor mais intensa e viva, pois a densidade do pigmento é maior do que na tinta para amadores. A tinta destinada aos principiantes em geral vem com excesso de óleo ou misturada com outros materiais, como o giz, e seus pigmentos são de qualidade inferior. Por isso, ele custa menos.
Mas a tinta para amadores é perfeitamente satisfatória. Talvez seja melhor investir numa maior variedade de cores do que em tintas de qualidade superior. É importante lembrar que os materiais não passam de simples instrumentos para que as pessoas possam expressar sua criatividade. Grandes artistas produziram quadros famosos usando apenas algumas cores combinações.
Material necessário
Pincéis:

Para começar, são suficientes três ou quatro pincéis de boa qualidade, chatos, redondos e ovais (ou filbert, pincéis chatos com as pontas ovaladas).
Os pincéis de cerdas, feitos com pêlo de porco, são bem mais duros do que os de marta e absorvem maior quantidade de tinta. Por isso são melhores para espalhar a tinta em grandes áreas de tela. Para trabalhar os detalhes, o mais indicado é usar um pinel tipo marta, redondo.
Os pincéis de náilon também são aceitáveis, principalmente por sua resistencia e facilidade de limpeza, e bem que, com o tempo, acabam deformando.

Paleta:

 Qualquer superfície pode servir como paleta, desde que seja impermeável e uniforme. É bom que a paleta e o fundo de sua pintura sejam da mesma cor, pois isso facilitará a escolha e a mistura de cores. Se você estiver usando uma superfície de plástico, tome cuidado: este material pode reagir com o solvente.
As paletas clássicas, de madeira, com o orifício para o polegar, são encontradas em várias formas e tamanhos. É com experimentar a que melhor se ajusta a sua mão, a fim de não cansar o braço.

Solventes:
A tinta a óleo é aplicada pura ou diluída em solventes. O tipo mais comum de solvente consiste numa mistura de óleo de linhaça e terebintina, em partes iguais. Desaconselha-se o uso de aguarrás, pois pode reagir com as tintas.

Outros materiais:
Você vai precisar ainda de duas vasilhar pequenas para colocar os solventes enquanto estiver pintando. Compre os copinhos de metal apropriados, que se encaixam na paleta. Ou use, por exemplo, xícaras velhas. Para misturar a tinta na paleta, removê-la ou aplicá-la à tela, será necessário uma espátula.
Alguns artistas utilizam carvão para um esboço preliminar. Se você resolver usá-lo, procure não carregar no traço e retire o excesso batendo um pano limpo na tela antes de começar a pintura. Para evitar que a tela se suje, você deve borrifála com um fixador especial, não plastificante, em aerossol, antes de dar início ao trabalho.
Não se esqueça dos pedaços de tecido absorvente para a limpeza dos pincéis.

Superfície para a pintura:
As superfícies tradicionais para a pintura a óleo são a tela e a madeira. As telas, em geral feitas de linho, juta ou lona de algodão, apresentam qualidades variadas e têm preços correspondentes. Existem dois tipos de trama: finas, para trabalhos detalhados e retratos; e grossas, para pinturas com tinta mais espessa. É difícil esticar bem a tela sobre a moldura de madeira.
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As cores básicas da paleta

A luz do sol é branca e dela derivam todas as cores. Quando atravessa um prisma de cristal, essa luz se divide nas sete cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Três destas - vermelho, amarelo e azul - são chamadas primárias, porque é possível misturá-las para obter as outras, em vários graus de intensidade. Por isso também as outras cores são chamadas de secundárias.
Há váriações, porém, como o verde-esmeralda, que por sua intensidade não podem resultar da simples mistura das cores primárias com o preto ou o branco. Eis onze delas, que são encontradas prontas no mercado e proporcionam maiores resultados a quem quiser pintar:

Branco de Titânio:
As cores básicas da paleta
O branco-titânio não é tóxico, sendo, por isso, preferível a outros tipos de branco que contêm chumbo.

Amarelo-ocre:
Das corres terrosas, esta é das mais versáteis. Quando você quiser um amarelo discreto e ao mesmo tempo quente, o amarelo-ocre é excelente. Pode ser misturado com
diferentes tipos de azul, produzindo verdes bem suaves. O preto acrescentado ao ocre produzirá um verde-oliva.

Vermelho Cádmio:


Este é um ótimo vermelho, quente e que merece lugar em sua paleta. Não tem o alto poder do carmim-alizarin, mas é bastante intenso. Muitos artistas acham esta cor a mais versátil de todos os vermelhos. Além disso, é uma boa alternativa de preço ao igualmente brilhante vermelhão.

Amarelo limão:

O amarelo-limão é um amarelo frio, muito semelhante ao amarelo-cádmio claro. Esta não é uma cor com muito poder de cobertura.


Carmim-alizarin:
Profundo e brilhante, este vermelho tem uma nuança malva fria, É uma tinta que leva mais tempo para secar e um poderoso corante. Ao misturá-lo com outras é preciso cuidado especial. Mistura bem com violeta, lilares e rosas e serve para escurecer outros tons de vermelho.

Azul-ultramar:

Puro, o azul-ultramar é uma cor muito escura. Tem bom poder tonal e mistura-se perfeitamente com outras cores.

Verde-esmeralda:É o verde mais versátil. Se você for começar comprando apenas um verde, opte por este. Quando puro, não parece um verde muito natural, mas é ótimo para misturas.

Cobalto:

É um azul mais suave e sutil que o ultramar, mas com poder de escurecimento mais limitado. Bom para pintar céus e pata toques frios em tons de carne.

Negro-de-marfim:
É um preto forte e profundo, que pode ser usado para escurecer ouras cores - se bem que não é necessariamente a melhor forma de escurecimento. Às vezes obtêm-se melhores resultados com misturas de outros matizes escuros. Ainda assim, é bom para escurecer marrons como o siena e o terra-se-sombra. Pode ser asicionado ao amarelo para produzir verdes interessantes.

Terra-se-sombra natural:
Excelente para esboços na pintura a óleo, produz também variações de tom. É mais frio que o terra-de-sombra queimado. Misturado ao branco, produz um verde acizentado.

Terra-de-siena queimado:
É uma cor necessária, mas não para ser usada sozinha, pois é crua e berrante. Nas misturas, porém, pode ser utilizada à vontade. Substituindo o vermelho, ou com ultramar e verde-esmeralda, forma cores ricas, profundas e escuras.


Dicas para o branco:
Ao comprar sua tinta branca, é melhor escolher um tubo do tipo profissional, com tinta bem mais tensa que a amadora. Para as outras cores isso não é necessário.

Cores de terra:
Este é um grupo de pigmentos obtidos de substâncias naturais. A maior parte das cores é neutra e inclui os terra-de-siena, os ocres, o vermelho-indiano e o terre verde. Podem ser conseguidas pela mistura das cores primárias ou de duas cores complementares, mas a maioria dos artistas prefere usá-las prontas. São baratas, permanentes e de bom rendimento.
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Preparando a paleta

No início, pode parecer difícil arrumar as cores na paleta, mas com algumas instruções você verá que não há segredos. Esprema um pouco de cada cor - equivalente à superfície de uma moeda - em volta da paleta e formando pequenos montinhos.
Comece com o branco, em quantidade equivalente ao dobro das outras tintas, pois esta é a cor maus utilizada. Em seguida, vá dispondo as cores quentes ao longo de um lado, e as frias do outro. Você acabará desenvolvendo a sua própria forma de arrumar as tintas, dependendo da sua sensibilidade quanto ás cores e do seu estilo de pintura.
O centro da paleta deve ficar reservado às misturas, feitas com o pincel e espátula. Pegue um pouco de cada tinta que deseje combinar e vá fazendo adições até obter, no final do processo, a cor pretendida.
Os copinhos de metal, presos à paleta, são bastante úteis, embora você possa optar pelos recipientes de vidro. A grande vantagem dos copinhos de metal é que eles permitem lidar com os solventes (óleo de linhaça e terebintina) sem dificuldades. É bom, para um trabalho eficiente, ter tudo organizado e à mão.

Como diluir a tinta:
Misture a tinta com partes iguais de óleo de linhaça e terebintina. Pegue um pouco de cada material com o pincel e faça a mistura no centro da paleta. Com prática, será possível calcular as quantidades intuitivamente. No entanto, para começar, o ideal é que se processe a mistura aos poucos. Neste caso, é melhor ter a menos, pois pode-se acrescentar mais solvente se necessário. Lembre-se de ter sempre à mão um vidro grande com terebintina e um pano de algodão para limpeza dos pincéis. Nem pense em limpá-los na terebintina usada para as misturas! Caso contrário, os montinhos de tinta irão perdendo aos poucos a sua cor original.
Os vapores dos solventes podem ser prejudiciais à saúde. Por isso, trabalhe sempre que possível em ambiente ventilado. Evite também esse solventes em sua pele, por serem tóxicos.

Como segurar a paleta:
Apóie a paleta de modo que ela fique numa posição equilibrada e confortável. Ela deve tocar o seu braço logo abaixo do cotovelo. Um pintor experiente pode segurar também os pincéis, mas os principiantes devem se limitar a porta apenas a paleta, até ganharem mais confiança.

Como segurar o pincel:
O pincel funciona como a extensão natural da sua mão. Quanto mais detalhado o trabalho e quanto maior necessidade de um bom controle, mais próximo da virola (anel de alumínio que prende as cerdas) você deve segurá-lo. Para um trabalho mais gestual, proceda de modo contrário.

Como segurar a espátula:
Use a espátula para misturar as tintas na paleta, para aplicá-las à tela e para limpar a paleta. Segure o cabo logo acima da junção com a lâmina, com os dedos polegar e indicador. O cabo se apóia na palma da mão e os outros dedos seguram apenas frouxamente o cabo.
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Óleo: pincéis e pinceladas

Um dos maiores prazeres da pintura a óleo é a forma como a tinta reage ao pincel. Cada tipo deixa uma diferente marca na tela. Para pegar o jeito de cada pincel, só mesmo manuseando-o. Assim, você descobrirá qual o melhor deles para cada caso em particular.
Mantenha o pincel sempre bem abastecido de tinta. Quando seta acaba, o pincel deixa uma marca fina e descontínua sobre a tela.

Pincéis de cerda:

  • Redondo grande: é o pincel ideal para preencher grandes áreas.
  • Oval chato (filbert): é um pincel versátil. Longo e flexível, tem as bordas ligeiramente arredondadas, produzindo pinceladas delicadas.
  • Chatos de cerdas curtas ou longas: possuem pontas retas, produzindo faixas bem definidas. Além disso, possibilitam a pintura de linhas e detalhes com a borda da ponta. Os de cerdas mais curtas produzem pinceladas mais texturizadas, onde se revelam nitidamente as formas das cerdas do pincel - ou seja, com ranhuras mais acentuadas.
Pincéis macios:
São feitos de pêlo de marta e de mistura de marta com náilon e pêlos de boi. Existem também em três formatos: chatos, redondos e ovais. São utilizados para trabalhar os detalhes de maior precisão. O pequeno e chato permite pinceladas bastante uniformes. Para detalhes, os melhores são os redondos de ponta fina.
Segure o pincel de modo a formar um ângulo reto a superfície da tela. Assim, você conseguirá pinceladas bem uniformes.
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Solventes e preparados

Óleos e solventes:

Óleo de linhaça: a tinta a óleo já contém óleo de linhaça e, quando de qualidade, apenas a proporção necessária para dar-lhe boa consistência. O grau de fluidez de uma tinta pode ser aumentado com a adequada adição de solventes. Despeje um pouco de óleo de linhaça num copinho apropriado. Depois, molhe o pincel no óleo, em seguida na tinta, e misture os dois na paleta até obter a consistência desejada.

Terebintina: para tornar a tinta ainda mais fluida, adicione algumas gotas de terebintina à mistura de tinta e óleo de linhaça. Quando mais terebintina, mais líquida a tinta de tornará - e também mais fraca sua película.

Preparado para pintura: alguns artistas preferem compor um preparado especial para pintura, misturando partes iguais de óleo de linhaça e terebintina, guardando esse preparado num recipiente. Neste caso, ao pintar coloca-se essa mistura num copinho e mais terebintina num outro, para tornar ainda mais líquida e fosca. Muitos artistas preferem trabalhar apenas com essa mistura meio a meio.

Cuidados necessários: ao terminar de pintar, limpe cada recipiente com um paninho. Tampe todos os recipientes para que a terebintina não evapore e o óleo de linhaça não resseque.Solventes e preparados

Tinta espessa e tinta rala:

Uma boa idéia é combinar a tinta espessa (também chamada de "gorda") e a tinta diluída ("magra"). Um recurso em geral usado é trabalhar com tinta espessa para as cores mais claras, reservando o emprego de tinta rala para os tons escuros.
O detalhe da pintura que representa um bosque (acima) mostra os efeitos obtidos com o uso de pincéis macios e de tinta bom diluída. Pinceladas fluidas mesclam-se uma ás outras, com pouquíssima textura. Observe como os reflexos das árvores fundem-se na água escura.

Impasto:
Este é o nome da tinta espessa, "gorda", aplicada grosseiramente com pincel ou espátula. O impasto é uma técnica muito útil para criar texturas acentuadas, dando impressão de relevo à superfície do quadro.
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Mistura de cinzas e neutros

As cores que vemos a nossa volta não são, em sua maioria, tão óbvias como as primárias (amarelo, vermelho e azul). Uma das dificuldades da pintura é a obtenção dessas outras cores, frequentemente neutras. (Para o artista, neutras são as cores acinzentadas, obtidas pela mistura de duas cores complementares.)
As cores neutras têm importante participação em pintura. Uma delas pode avivar ou realçar outra, mais pura, que se encontre a seu lado.
Como definir determinada cor neutra, para caracterizá-la, por exemplo, como fria ou quente?
Faça alguns exemplos:
  • Ultramar, laranja-cádmio, branco-de-titânio.
  • Ultramar, carmim-aliazarin, amarelo-ocre.
  • Azul-cerúleo, laranja-cádmio, branco-de-titanio.
  • Azul-cobalto, terra-de-sombra queimado.
  • Azul-ftalo, carmi,-alizarin, amarelo-limão-cádmio.
  • Ultramar, terra-de-sombra natural, branco-de-titânio.
O esboço:
Um dos passos iniciais é pintar objetos domésticos com os quais estamos acostumados, Reúna alguns deles sobre uma mesa, organizando-os numa composição de seu agrado.
Inicialmente, esboce o motivo a lápis, no bloco de desenho, procurando prestar muita atenção à interação das formas básicas. Depois, você tanto pode esboçar essas formas na tela com alguns traços de carvão (use pano limpo para eliminar os excessos, pois as linhas devem ficar esmaecidas) quando passar diretamente à etapa seguinte: pintar o esboço com um pincel redondo bem macio mergulhado em terra-de-sombra natural diluído em terebintina.

Acrescente as cores:
Depois que a tinta do esboço estiver seca, comece a preencher com cores algumas das formas. Neste e no próximo estágio, use apenas pincéis maiores, de cerdas de porco.
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Mistura de verdes

Muitos pensam que as cores da pele são as mais difíceis de reproduzir - até que tentam copiar os verdes da natureza. O verde é a cor predominante nas paisagens; portanto, dominar e entender seu uso é especialmente importante.
A vantagem de preparar os verdes - ao invés de adquirir os tubos prontos - é que com as cores de sua paleta básica você pode preparar verdes quentes ou frios de maneira bem econômica. Além disso, os verdes de tubo geralmente precisam ser trabalhados com espátula antes de serem usados.
A maioria das folhagens não são exclusivamente verdes. Se você olhar para uma folha de um arbusto, a cor inicial que você vê é o verde, mas, se quiser incluir o arbusto num quadro, pintá-lo inteiramente de verde não será a solução. Um exame maus acurado revelará outras cores - cinzas e amarelos frios no arbusto e cinzas aroxeados nas árvores ao fundo - que você gstará de incluir.

Verdes quentes e frios:
É importante saber que os verdes podem ser quentes ou frios. Como saber qual deles usar? A resposta está no tipo de fonte de luz. Num dia ensolarado, por exemplo, uma árvore fica banhada de luz com tonalidade ocre. O lado iluminado da árvore será de um verde quente, como algumas das misturas reproduzida abaixo. De fato, os verdes da natureza são geralmente quentes, embora os verdes na sombra ou em paisagens de tempo nublado façam parte do grupo de misturas mais frias.

O brilho dos verdes:
Tenha sempre o cuidado de notar a intensidade dos verdes que usar. Quando um verde entra na sombra, fica mais frio e também sofre uma perda correspondente, em termos de intensidade. Amarelo-limão e amarelo-cádmio misturados com o azul podem produzir verdes excessivamente brilhantes. Neste caso, tente usar preto em vez de azul - produz verdes excelentes.

Usando amarelos:
Para clarear um verde não basta simplesmente acrescentar-lhe branco, pois esse último, assim como o preto, atua como cor fria numa mistura. Para diminuir essa frieza, acrescente amarelos ao branco.
Ao fazer amostras experimentais, tente substituir os amarelos aqui sugeridos por outros, quentes ou frios. Lembre-se de que algumas cores dominam numa mistura, e outras são fracas. O azul-cerúlio, por exemplo, é uma cor relativamente fraca; assim, bastará apenas um pouco de amarelo-cádmio para fazer um verde.Mistura de verdes
Como preparar seus próprios verdes:
Estas amostras representam as misturas que produzem alguns dos muitos verdes que podem ser encontrados na natureza. Nao as considere como "regras para pintar verdes", e sim como instrumentos para ajud-alo a fazer experiências. Elas vão desde as misturas mais óbvias de verde-amarelo, passando por azul-amarelo, chegando às combinações mais complicadas; estas são resultantes do acréscimo de uma cor complementar e de branco.

Amostras de A a D:
Trata-se de uma série de combinações feitas de verdes quentes e frios com amarelos.

Amostras de E a H:
São combinações de azuis quentes e frios com amarelos (todo os azuis são frios, mas alguns são relativamente masi quentes que outros). O branco corta a intensidade da cor, e por isso foi omitido nestas misturas. É sempre bom ver como fica a mistura com a cor pura, antes de clareá-la.

Amostras de K a O:
Constituídas de três comres mais branco, são as combinações mais interessantes. Observe que em cada uma das misturas de três cores pode-se obter verdes quentes e frios, dependendo da quantidade de amarelo incluída. O branco clareia a mistura, tornando-a mais neutra.

Cores usadas nas combinações:
A- Verde-permanente claro e amarelo limão (fria).
B- Verde-permanente claro e amarelo-cádmio claro (mais quente).
C- verde-seiva e amarelo-cádmio (mais quente ainda).
D- Verde-esmeralda e amarelo-limão (mais fria).
E- Azul-cerúlio e amarelo-limão (fria).
F- Ultramar e amarelo-cádmio claro (mais quente).
G- Azul-ftalo e amarelo-limão (fria).
H- Ultramar e amarelo-ocre (quente e neutra).
I- Negro-marfim e amarelo-limão (fria e neutra).
J- Negro-marfim e amarelo-cádmio (quente e neutra).
K- Azul-cobalto, carmim-alizarin, amarelo-limão e branco-de-titânio (suave, um tanto fria).
L- Ultramar, vermelho-cádmio e amarelo-cádmio claro (mais quente e um pouco berrante).
M- Azul-cerúleo, carmin-alizarin, amarelo-limão e amarelo-ocre.
N- Azul-ftalo, carmim-alizarin, amarelo-limão e branco-de-titânio (estas cores são boas de se misturar; contudo, você pode tentar amarelo-cádmio em lugar do amarelo-limão).
O- Ultramar, carmim-alizarin e amarelo-cádmio claro (pela circunstância de que este amarelo e este azul são mais quentes, a combinação tente a formar um verde mais quente).
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Mistura de cores na tela

Joshua Reynolds, famoso pintor inglês do século XVIII, menciona em suas anotações que as cores devem ser misturadas sobre a tela. O que ele quis dizer, de fato, é que, embora preparemos as cores na paleta, nada se iguala à vitalidade e à espontaneidade da mistura cromática realizada na superfície da própria pintura.

As técnicas de fusão de cores podem ser desenvolvidas entre dois extremos. Por um lado, você pode misturá-las com pincel com tanta suavidade que as pinceladas mal podem ser vistas - mesmo de muito perto. No outro extremo, é possível aplicar grosseiramente pontos e pinceladas (e aparentemente de maneira nada realista), mas de modo que, quando observador se afasta da tela, as cores se fundem em seus olhos.
Tente executar as três principais técnicas de fusão aqui descritas e veja qual você prefere.

Mistura de cores na tela
"Molhado no molhado":
Este método (também conhecido pela expressão inglesa "wet-into-wet"), muito usado pelos pintores, é o modo mais simples de misturar cores sobre a tela (A). Ele dá ao trabalho uma aparência suave e fluida, e permite que se pinte um quadro inteiro "alla prima", isto é, de uma só vez.
Passe uma camada de tinta sobre a outra, ainda molhada, mantendo-a sempre bem fluida (com algumas gotas de terebintina e bastante óleo), para retardar a secagem. Use pincéis de marta para dar um efeito mais suave. As cores fundem-se mais facilmente se houver maior quantidade de óleo no preparado, mas deixe a tinta mais espessa para os toques finais; do contrário, a superfície oleosa dissipará suas pinceladas.

Mistura com o pincel:
Os grandes mestres sabiam que o uso excessivo do pincel poderia acabar estragando suas cores, e preferiam obter esse efeitos empregando-o ao mínimo possível.
Tente uma gradação suave (B), misturando um tom com outro, enquanto as tintas não secaram, com a técnica "molhado no molhado". Geralmente, é mais fácil aplicar o claro sobre o escuro, por meio de pequenas pinceladas em ziguezague. Cada vez que o pincel volta, traz um pouco da tinta sobre a qual passou, deixando-a sobre o outro tom e produzindo assim uma gradação natural.
Deixe as áreas coloridas adjacentes bem chapadas e faça a fusão bem onde elas se encontram. Limite ao mínimo o trabalho com o pincel.

Misturas ópticas:
Uma mistura cuidadosa de cores na paleta ou na tela produz um resultado real, físico. No entanto, costuma ser mais interessante combinar duas ou mais cores, de forma que se mesclem aos olhos do observador. Essas misturas "ópticas" podem produzir cores mais vivas. Uma das técnicas para obtenção desse efeito é a das pinceladas justapostas (C). Trata-se de uma forma da chamada "cor quebrada", método muito usado pelos impressionistas. As pinceladas são delicadas intactas e não se fundem. Elas se combinam a distancia, formando uma cor diferente, mas quando olhamos de perto podemos distinguir cada uma das cores. Essa técnica pode representar um estilo em si mesmo, com a mistura óptica produzindo o efeito de um rico mosaico, ou pode ser utilizada especificadamente para dar textura à obra.
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